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Brasil e Mundo

Redes sociais em julgamento por vício e mortes de jovens

As empresas respondem às acusações de que suas redes sociais foram desenhadas intencionalmente para viciar

Éder Luiz

Éder Luiz

Foto: Agência Brasil

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Gigantes da tecnologia como Meta e Google enfrentam um julgamento inédito atualmente em Los Angeles (EUA), movido por milhares de famílias. As empresas respondem às acusações de que suas redes sociais foram desenhadas intencionalmente para viciar, causando graves danos à saúde mental de crianças e adolescentes, o que inclui episódios de suicídio.

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O caso central que guia o processo é o de uma jovem identificada apenas como Kaley. Ela relatou ao júri que chegou a passar 16 horas por dia no Instagram e no YouTube. Como consequência desse uso extremo, que começou ainda na infância, a garota isolou-se da família e desenvolveu ansiedade, depressão e dismorfia corporal — um transtorno de distorção e obsessão com a própria aparência.

Além de Kaley, o tribunal atrai a presença constante de pais em luto. É o caso de Lori Schott e Aaron Ping, que perderam seus filhos adolescentes para o suicídio. Embora não façam parte deste processo específico, eles acompanham os desdobramentos de perto e culpam o design viciante e a exposição a conteúdos nocivos dessas plataformas pelas tragédias em suas famílias.

Impacto global e defesa bilionária

A gravidade do processo levou o próprio cofundador e CEO da Meta, Mark Zuckerberg, a depor presencialmente. O executivo se defendeu afirmando que a empresa sempre agiu para barrar usuários menores de 13 anos. No entanto, documentos internos apresentados no julgamento revelam que a companhia conhecia, debatia e até planejava aumentar o uso de suas redes por crianças.

Se o júri decidir a favor da jovem Kaley, o resultado abalará o mercado tecnológico mundial. Uma condenação pode quebrar a ideia de que essas plataformas são apenas espaços neutros de interação, responsabilizando as empresas diretamente por seus algoritmos e abrindo caminho para indenizações bilionárias.

A pressão já ultrapassa as paredes do tribunal. Com o aumento alarmante de diagnósticos psiquiátricos entre os mais novos, a sociedade civil e governos ao redor do mundo começam a exigir leis mais rígidas para impedir que o modelo de negócios das chamadas “Big Techs” continue prejudicando o desenvolvimento infantil.

O debate sobre o vício digital

No tribunal, a principal estratégia da Meta é afirmar que os problemas emocionais de Kaley não derivam do Instagram, mas sim de seu ambiente familiar. Os advogados da empresa exploraram o histórico da jovem, argumentando que fatores externos e instabilidades em casa foram as reais causas de sua condição psiquiátrica.

Outro argumento usado pela defesa é o fato de que o “vício em redes sociais” ainda não é reconhecido oficialmente nos manuais de medicina. O chefe do Instagram, Adam Mosseri, chegou a declarar no julgamento que passar grande parte do dia conectado não configura dependência clínica, classificando o hábito extremo apenas como um “uso problemático”.

Atualmente, Kaley relata estar trabalhando, estudando e com a relação familiar restaurada, embora confesse que continua utilizando as plataformas digitais. Contudo, ao ser questionada no tribunal se a sua vida teria sido melhor caso nunca tivesse criado contas no Instagram e no YouTube, a resposta da jovem resumiu o peso do julgamento: “Sim”.


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